A climatização II

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O aquecimento central

Da importância de uma boa climatização e das vantagens e desvantagens do ar-condicionado, já escrevemo no artigo anterior, pelo que abordamos agora o aquecimento central com dissipadores de calor.

Neste artigo, vai ficar a conhecer os tipos de equipamento para produzir e propagar o calor nos compartimentos e as infraestruturas necessárias.

Mas ainda antes, importa referir que a implementação de um sistema de aquecimento central, deve obedecer a um projecto elaborado por equipas profissionais, para calcular as necessidades de cada instalação.

A localização geográfica, o tipo de isolamento térmico da construção e a orientação solar de cada compartimento, vão determinar o dimensionamento da rede e os equipamentos necessários.

Os dissipadores de calor

São equipamentos com características que permitem libertar calor, para melhorar o conforto térmico do compartimento onde estão instalados.

São básicamente de dois tipos, tantos quantos os tipos de infraestruturas:

  • Radiador – ligado a um circuito fechado de água quente.
  • Acumulador de calor – alimentado por um circuito eléctrico.

Radiadores

São constituídos por elementos em alumínio fundido por onde circula a água quente, e pelos quais liberta o calor.

Existem diversos tipos e em diversos tamanhos, com o número de elementos definido no projecto, tal como a sua localização no compartimento.

Para melhorar o conforto e a eficiência energética de todo o sistema, cada um dos radiadores deve estar equipado com uma válvula termostática, para regular individualmente a temperatura.

Assim, pode ajustar a temperatura de cada compartimento em função das necessidades do momento.

Repare que, um compartimento a Norte, é mais exigente térmicamente que um outro exposto  Sul ou que, por exemplo, a ocupação da sala no dia-a-dia pela Família difere de um dia em que recebe mais pessoas.

A opção por radiadores, e pelo tipo de intervenção necessária, é indicada para remodelações mais profundas, reabilitações ou construções novas.

radiador

Acumuladores de calor

Transformam a energia eléctrica que os alimenta, em energia térmica através de resistências eléctricas e blocos cerâmicos.

A energia é acumulada durante um período de tempo, que depois é libertada em forma de calor, sendo possível regular individualmente o seu fluxo.

Para maior economia no consumo de energia, deverá optar uma tarifa bi-horário, já que o ciclo de carregamento se realiza durante as horas de vazio.

Ainda que o custo de cada unidade seja elevado, a vantagem desta opção vem da facilidade da instalação.

Pode utilizar o circuito de tomadas existente, mas o ideal é instalar um circuito próprio para o aquecimento central.

Esta opção torna o sistema mais eficiente, já que permite instalar os acumuladores na localização mais adequada em cada compartimento.

Em qualquer dos casos, é necessário confirmar se a potência contratada é compatível com as características dos acumuladores, podendo implicar a sua alteração.

acumulador de calor

As fontes de energia

Se para os acumuladores de calor a electricidade é a única fonte de energia, para os radiadores, as opções são diversas.

Sendo umas mais ecológicas do que outras, mais ou menos caloríficas e, por isso, mais ou menos económicas, elas vão definir o tipo de equipamento a utilizar para a produção de calor.

O gás: o propano e o natural

Não existindo rede de gás natural, o gás propano é o mais utilizado em moradias, sendo fornecido em botijas de 35/45Kg ou a granel para reservatórios.

A utilização de botijas, exige um compartimento fechado, ventilado permanentemente e, idealmente, ser provido de um detector de gás para assinalar qualquer fuga.

Por ser um gás mais pesado do que o ar (ao contrário do gás natural mais leve e que por isso se dissipa mais fácilmente no ar), o compartimento das botijas não pode estar localizado em caves.

É mais calorífico que o gás natural, tendo por isso um menor consumo, ainda que o preço seja elevado.

Estas fontes de energia vão alimentar a caldeira mural ou de chão, que por sua vez vai aquecer a água do circuito fechado da rede de aquecimento.

Junto à caldeira, e para maior conforto e economia de energia, deve instalar um programador para definir a temperatura e automatizar os horários de funcionamento.

Gasóleo

É outra das fontes de energia utilizadas, mas mais “suja” e poluente e, por isso, a cair em desuso. É utilizado em moradias, já que requer espaço para o reservatório enterrado, ou não.

Biomassa

Considerada como energia renovável, funciona com uma caldeira para queima de “pellets”, que são resíduos de madeira triturados, com baixo teor de humidade, sem resinas e muito caloríficos.

No entanto, as cinzas resultantes da queima (entre 1% a 3% da combustão) não são biodegradáveis (podendo ser considerado como um lixo tóxico), havendo por isso a necessidade de ter alguns cuidados na sua remoção.

Devido às dimensões deste equipamento, é necessário um compartimento generoso para que possua também espaço para armazenar os sacos com as pellets.

Solar Térmica

Através da instalação de  painéis solares, funciona como um sistema complementar às outras fontes de energia utilizadas na geração de calor nas caldeiras, permitindo que estas estejam desligadas por períodos mais longos.

Fotovoltaica

Captada a partir do Sol, transforma a energia térmica em energia eléctrica e, tal como a solar térmica, funciona como complemento às outras fontes de energia.

Tem a particularidade de se poder vender à rede pública, o excedente da produção.

Bomba de calor

Transforma o ar ambiente em ar quente (ou frio) através da utilização de um circuito de gás frigorígeno, sendo 3 a 5 vezes mais eficiente do que as caldeiras de combustíveis sólidos.

Este sistema é constituído por uma unidade exterior e por um depósito acumulador e funciona como complemento a todas as restantes fontes de energia.

Apoio à compra

Se pretender instalar qualquer umas das três últimas fontes de energia referidas, saiba que existem apoios do Estado, que podem chegar aos 85% do custo dos equipamentos,

Instalar o sistema ao longo do tempo…

Se o custo total da implementação do sistema de aquecimento central ultrapassar o seu orçamento, pode começar por executar a infraestrutura (fonte de energia, circuito fechado de água quente ou circuito eléctrico), e adquirir posteriormente os equipamentos, consoante a sua disponibilidade financeira.

Pode, por exemplo, começar por ter a fonte de energia e o dissipador de calor no compartimento que achar mais urgente e ir adquirindo os restantes ao longo do tempo.

Por fim…

Lembre-se que o mais importante é ter a casa bem isolada térmicamente, mesmo que isso lhe exija uma verba maior no seu orçamento.

Esse extra, vai recuperá-lo depois com a redução do consumo de energia e do valor da factura mensal!

As vantagens do sistema de aquecimento central…

Mantém uma temperatura constante

É silencioso e sem circulação de ar

Melhor custo/benefício a longo prazo

As desvantagens…

Maior investimento inicial e um custo de instalação mais elevado, principalmente em obras de remodelação.

Sendo uma infraestrutura fixa, é menos flexível para futuras alterações da casa.

Demora mais tempo a atingir a temperatura ideal.

Em resumo

Em termos de equipamentos para dissipação do calor, as opções são os radiadores ou os acumuladores de calor.

Já para a fonte de energia as opções são várias, sendo que algumas delas pelo espaço que ocupam e pelas características, são mais adequadas para moradias.

Para os apartamentos, e se forem objecto de uma remodelação, o grau de intervenção vai limitar ou não, a escolha do sistema de aquecimento.

Com as infraestruturas executadas, pode ir instalando gradualmente os equipamentos do sistema de aquecimento central.

Por fim, recordar que deve recorrer a uma equipa multi-disciplinar para a elaboração de um projecto da rede, integrado com a remodelação, reabilitação ou construção da sua casa.

Sobre climatização e o sistema de ar condicionado leia o artigo ” A climatização I”.

O aquecimento por pavimento radiante, será o tema do próximo artigo.

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